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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fernando Pessoa! 120 anos!

Se este génio ou louco (um pouco dos dois com certeza) estivesse ainda entre nós completaria hoje 120 anos!!!

Aqui deixo um dos seus poemas, sendo que este expressa bem quem foi Fernado Pessoa!


"Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu."


P.S: Obrigada Fernado Pessoa!!

terça-feira, 10 de junho de 2008

10 de Junho (feriado)

Oficialmente Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, comemorado na data do falecimento de Luís Vaz de Camões, em 1580. Este feriado é utilizado para relembrar não só os feitos passados como os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal.

Neste dia deixo a minha homenagem a todos os que se aventuram pelo Mundo fora (têm a minha profunda admiração... que não vos serve de grande coisa... mas pronto!) e ao grande (GIGANTESCO) poeta Luís Vaz de Camões, do qual transcrevo um dos seus poemas sempre actuais.

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.



p.s.: um beijo à tia Mila e ao tio Zindo que comemoram hoje anos de casados... aos quais já perdi a conta... Fantástico....Parabéns!!!

sábado, 22 de março de 2008

Dia Mundial da poesia...

21 de Março, Dia mundial da Poesia....


Nesta noite o café que costumo frequentar (Redbox- espero que paguem um copo pela propaganda) promoveu uma "Noite de Poesia"... onde se fizeram ouvir duas recitadoras acompanhadas de um percursionista que tocava variados instrumentos, de forma a dar mais cor aos poemas recitados... adorei... e a iniciativa é de louvar...

Desta noite tão agradável são de destacar:

A marimba - um intrumento fantástico

e...

Um poema muito divertido... de António Lobo Antunes....


Pasodoble - Todos os homens são maricas quando estão com gripe

Pachos na testa
terço na mão
uma botija
chá de limão
zaragatoas
vinho com mel
três aspirinas
creme na pele
grito de medo
chamo a mulher
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer
mede-me a febre
olha-me a goela
cala os miúdos
fecha a janela
não quero canja
nem a salada
ai Lurdes Lurdes
não vales nada
se tu sonhasses
como me sinto
já vejo a morte
nunca te minto
já vejo o inferno
chamas diabos
anjos estranhos
cornos e rabos
vejo os demónios
nas suas danças
tigres sem listras
bodes de tranças
choros de coruja
risos de grilo
ai Lurdes Lurdes
que foi aquilo
não é a chuva
no meu-postigo
ai Lurdes Lurdes
fica comigo
não é o vento
a cirandar
nem são as vozes
que vêm do mar
não é o pingo
de uma torneira
põe-me a santinha
à cabeceira
compõe-me a colcha
fala ao prior
pousa o Jesus
no cobertor
chama o doutor
passa a chamada
ai Lurdes Lurdes
nem dás por nada
faz-me tisanas
e pão de ló
não te levantes
que fico só
aqui sozinho
a apodrecer
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer.

-in Letrinhas de Cantigas, António Lobo Antunes-